quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Nega

Neguinha
pretinha do pai

 A nega bonita que sobre a ladera dum  jeito ligeiro pra ir trabalhar 

 Que faz um feijão maneiro, com cheiro verde e louro  que é seu pro moço levar.

Ela tem a andar e um rebolado mexido, esquiço, e que quebra no passo que dá.

Eu aqui no pé da ladera todo dia de olho esperando só ela passar.

Oh nêga, me dê uma chance pra mostrar que posso ser o dono do seu coração.

Que no dia-a-dia você nunca mais há de ser sozinha não!
Na favela, na rua, no morro, na esquina, faço tudo que você quisé
Só me dê um gostinho de um dia ser minha mulé.


Neguinha, cabocla,pretinha azulada da terra.

Se eu pudesse te tirar dessa vida e fazer minha donzela.Eu faria de tudo 
Mas no nosso palácio eu poria, uma ladera bem alta
que é pra te espiar subindo, e o teu rebolado mexido, ao pé do ouvido.

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